“Será assim tão estranho, tão descabido, ver com olhos de ver, esta cidade, que não é apenas sede da Direcção Regional da Cultura, mas que é também Património Mundial da Humanidade, sede do Bispado, que tem entre as suas gentes artistas capazes das maiores manifestações artísticas, e não só em termos amadores – vejam-se os grupos de teatro, de música, artistas plásticos e escritores – como capital açoriana da cultura?”
Eu cá não tenho problema nenhum em ver Angra como “Capital Açoriana da Cultura”. Só penso que a reacção da senhora se deve apenas ao facto de temer que a sua cidade perca esse estatuto para Ponta Delgada. Que me desculpem, mas já não há pachorra! O bairrismo doentio é um autêntico “cancro” dos Açores. E se esta Região não tem, por decisão dos que fundaram a actual Autonomia, uma capital política ou administrativa, porque raio há-de ter uma “capital” da Cultura?





Saber se Angra é capital disto ou daquilo, ou se Ponta Delgada é capital daquilo ou disto, é uma discussão estéril e que apenas tem por objectivo alimentar egos e esconder realidades bem mais importantes do que títulos, ou melhor, auto-títulos. Se Angra é Património da Humanidade, sede da Diocese e base do agora Representante da República, a Horta é sede da Assembleia Legislativa e Ponta Delgada é sede do Governo e principal centro económico da Região. Foram algumas destas, afinal, as soluções encontradas para se transformarem os então distritos na Região Autónoma que temos hoje. Uma Região que se pretende una e coesa. Bairrismos por títulos que em nada contribuem para o desenvolvimento local e em nada abonam a favor da melhoria das condições de vida das populações, por favor, não. Seria preferível que as energias aqui dispendidas fossem canalizadas no sentido de se reivindicar obra e investimento e, aí sim, mostrar que se quer o melhor para a nossa terra sem, contudo, esquecer que os Açores se esgotam no nosso umbigo…