quarta-feira, agosto 30, 2006
sol já faz vítimas
o jornal que saiu para as bancas com o propósito de derrotar o Expresso vai acabar por não ver o sol. morre esta sexta feira, ingloriamente, mantendo cerca de nove mil fiéis, nos quais só não me incluo porque deixei de o comprar há muito pouco tempo.
comecei a ler o independente desde o primeiro número: o furor dos anos do cavaquismo, a construção do fenómeno pp e o declínio, iniciado com o avanço do guterrismono final dos anos 90. começou com uma magnífica revista, e com um tipo de jornalismo que acabou por tornar-se um modelo para todos. foi, digamos, um visionário do jornalismo justiceiro, do se-há-fumo-só-pode-haver-fogo-mesmo-que-depois-se-descubra-que-afinal-era- só-poeira. melhor dizendo: a morte do independente deriva muito do facto de agora se publicarem independentes todos os dias

 
Postado por nuno mendes em 8/30/2006 |


2 Comments:


  • 31 agosto, 2006 07:34, Anonymous Anónimo

    Bem visto, Nuno.

    Cresci com esse jornal, lembro-me do seu poder, o mediatismo que provocava à sexta feira. Nessa altura, para os alunos de jornalismo era um manual de curso.

    É pena... talvez seja o reflexo do que diz um artigo da prestigiada revista "The Economist" (ver no, sempre interessante, blog Chá Verde)http://chaverde.blogspot.com/.

     
  • 31 agosto, 2006 11:06, Blogger Luísa Silva

    É uma pena que, dentro das redacções dos próprios jornais esteja a alastrar um movimento de independentismo que, felizmente, será diferente daquele que criou o Independente.
    O que é azul hoje em determinado editorial, amanhã será vermelho no mesmo tipo de artigo da mesma publicação.
    Cada um gere "o seu espaço, à sua maneira".
    Que é feito da chamada linha editorial?
    Cada um escreve para si e para os seus.