“Quando, em 1992, Donna Tartt, publicou “A História Secreta”, um primeiro e extenso romance recheado de referências literárias, o êxito foi instantâneo. O livro foi considerado como um exemplo da recuperação da grande tradição da ficção russa, de Tolstoy a Dostoievsky, com o seu plot complicado e tenebroso, personagens a braços com crimes e castigos e em permanente estado de guerra de nervos.”*******
”A personalidade de Tartt contribuiu para o verdadeiro “culto” a que esta obra estava destinada. A sua diminuta figura – “sou exactamente do tamanho de Lolita e, em pequena, vestiam-me roupas de boneca”, afirmou numa entrevista – o cabelo cortado à Louise Brooks, sotaque sulista, uma postura de reclusa e a firme decisão de se dedicar inteiramente à escrita, pondo de lado o casamento ("Je ne vais jamais me marier,"), a juntar ao facto de ser amiga de Bret Easton Ellis, fizeram dela um ícone do universo literário. Os críticos extasiaram-se com a sua erudição, o seu gosto por línguas estrangeiras e a aplicação directa que faz, com invejável desenvoltura, dos temas e técnicas da já longa história do romance. “ A História Secreta” abre com duas citações: um “sofisma” de Nietzsche e um passo da “República” de Platão que exorta a que se contem histórias “aos nossos heróis” para que eles “se eduquem”. São ecos de autores ilustres como Sterne – a citação em grego de Epictetus na primeira página de “Tristram Shandy” que quer dizer algo como “os homens são perturbados não pelas coisas mas pela opinião que têm das coisas” – e como Fielding que, em “Tom Jones”, vai buscar à “Ars Poetica” de Horácio, a frase, “ele conheceu os costumes do mundo”, a adaptação latina da primeira linha da “Odisseia” de Homero, que refere a sabedoria adquirida por Ulisses/Odisseus. Está dado o mote para a acção, com ecos de tragédia grega”. (in Storm Magazine)



