Há quase 30 anos, os fundadores da Autonomia optaram por distribuir pelas três principais ilhas dos Açores os diversos órgãos de poder. A presidência do governo regional está em São Miguel, o representante (outrora ministro) da República na Terceira e o parlamento no Faial. As secretarias regionais estão espalhadas pelas três ilhas. Tudo em nome de um equilíbrio necessário à unidade da Região. O princípio continua válido, só que retirou visibilidade ao órgão máximo da Autonomia, a Assembleia Legislativa. O parlamento, sedeado na Horta, está cada vez mais afastado dos açorianos e já é tempo de inverter este estado de coisas. Como um dia disse Dionísio Sousa, antigo presidente do parlamento, é preciso tirar a Assembleia Legislativa “da prisão da ilha azul”.
O recurso à Internet já é feito há alguns anos e o balanço dessa presença do parlamento dos Açores na “grande rede” é deveras positivo. A larga maioria dos documentos relacionados com os trabalhos parlamentares está disponível no “site” da Assembleia Legislativa, numa demonstração de transparência pouco comum nas instituições açorianas. Mas é preciso muito mais: transmissão em áudio e vídeo, com qualidade, dos plenários (actualmente essas transmissões deixam muito a desejar) e dos trabalhos das comissões parlamentares. E, porque não, criar um sistema de blogues, em que os deputados escrevessem com regularidade.
Mas fora do âmbito das novas tecnologias também há que mudar o modelo de funcionamento do parlamento. À semelhança do que sucede com o governo regional, que é obrigado a visitar cada uma das ilhas pelo menos uma vez por ano, algumas sessões plenárias também deviam realizar-se nas restantes ilhas do arquipélago. Como é óbvio que não podia ser com a mesma frequência, então tal deveria ser feito uma vez por legislatura. É certo que as comissões parlamentares se reúnem em todas as ilhas, sobretudo nas três ditas maiores. No entanto, estas reuniões passam completamente despercebidas da população. Agora a realização de uma sessão plenária do parlamento iria ter um grande impacto entre os habitantes de cada ilha. Não se fala tanto em aproximar eleitos e eleitores? Ora esta opção poderia vir a constituir um pequeno empurrão para que aquele desiderato possa vir a ser alcançado. Para que esta medida possa ser implementada é preciso, há que reconhecê-lo, ultrapassar alguns obstáculos relativos à logística. Mas uma experiência poderia ser feita sem dificuldades na Terceira ou em São Miguel. Pode até não resolver o problema da falta de interesse de muitos açorianos pela vida parlamentar, mas constitui um acto de justiça para todas as ilhas.






No início do texto fala-se do desinteresse dos cidadãos pelos políticos. O problema reside precisamente aí, na premissa errada, é que não são os cidadãos que estão afastados dos políticos, os políticos é que se desinteressaram e se afastaram dos cidadãos. Soluções... Talvez a realização de "Plenários Abertos" por toda a Região à semelhança do que eram as "Presidências Abertas" ou os plenários de cidadãos...