terça-feira, julho 22, 2008
Concelho de Ponta Delgada concentrará mais de 50% da população dos Açores


Modéstia à parte, não será este o caso: não faço a mínima ideia onde estarei e o que serei daqui a duas décadas. E se não "zandingo" para mim, igualmente difícil será "zandingar" sobre o futuro da Região Autónoma dos Açores.

A incapacidade para "zandinguisses", não impede, apesar de tudo, uma ideia sobre alguns dos aspectos que marcarão o futuro. E uma coisa, à partida, parece-me óbvia: Berta Cabral já não será o fantasma sempre presente de qualquer liderança do PSD (se daqui a vinte anos ainda existir PS- D), nem Carlos César será o presidente do Governo Regional dos Açores.

Daqui a vinte anos, no entanto, existirão debates muito mais importantes para fazer do que tentar adivinhar o futuro das personalidades políticas da nossa praça. Sendo certo que qualquer uma delas poderá ser o que muito bem entender vir a ser.

Muito mais importante será o destino colectivo do povo açoriano, então já devidamente reconhecido uma vez que, e esta é também uma certeza, Cavaco Silva não será o Presidente da República.

Alguns sinais parecem-me óbvios, apesar de, também aqui, não passar de um leigo: o concelho de Ponta Delgada deverá concentrar mais de 50 por cento da população do Arquipélago, algumas ilhas passarão por grandes dificuldades devido ao êxodo generalizado dos habitantes, quer para S. Miguel (por muito que custe, a isso chama-se desenvolvimento e progresso), quer para o exterior.

Os Açores terão, assim, de se confrontar com um debate que, mais tarde ou mais cedo, acabará por ter de ser feito: será viável manter a população em locais que não são economicamente sustentáveis? Até onde estamos dispostos a ir ao nível do pagamento de incentivos a várias classes profissionais para se manterem em locais de dimensão reduzida quando facilmente conseguem ganhar o mesmo em locais de maior dimensão? Teremos vários espaços ilha que funcionarão à base da população flutuante (turistas e trabalhadores para o turismo), durante a época alta, ficando a funcionar nos mínimos indispensáveis durante o restante período do ano? Ou melhor, quanto estará o Estado (leia-se todos nós que, infelizmente, a maior parte dos leitores continua a confundir Estado com Governo) disposto a "investir" para manter artificialmente população que pretende procurar outros locais para viver?

No meio de tudo isto, um dado parece de facto evidente, até pelo que acima fica exposto: daqui a vinte anos, a locomotiva económica do Arquipélago será cada vez mais a locomotiva económica do Arquipélago.


NUNO MENDES

 
Postado por nuno mendes em 7/22/2008 |


5 Comments:


  • 22 julho, 2008 22:56, Anonymous Anónimo

    se não se investisse sempre nas mesmas duas ou tres ilhas e todas as nove tivessem o investimento a que tinham e tem direito essa questão da população "artificialmente mantida" não seria posta...

    Picaroto

     
  • 23 julho, 2008 11:49, Blogger nuno mendes

    caro picaroto
    esse é um erro comum provocado pelo ressentimento de quem não consegue ver para lá da ilha da frente.
    O Estado não investe sempre nas mesmas duas ou três ilhas. O investimento per capita nas ilhas da coesão é superior ao das três ilhas onde diz investir-se sempre. Ou seja, hoje em dia, algumas já são artificialmente mantidas.
    O correio dos açores de hoje dá uma boa achega: "Governo amarra médicos às ilhas - Regalias de luxo como prenda".
    Aqui reside boa parte do problema que tento aflorar no meu texto. Quanto estamos dispostos a pagar a médicos, enfermeiros ou outro tipo de profissionais para trabalhar onde a generalidade deles não pretende?

     
  • 23 julho, 2008 22:21, Anonymous Anónimo

    Quando os governos de Mota Amaral e Carlos César, concentraram numa só ilha todas as empresas publicas criadas, nao é de esperar outra coisa.
    A locomotiva referida, só o é por isto:
    SATA - Sede em PD
    EDA-EP - Sede em PD
    Lotaçor -Sede em PD
    Transmaçor - Sede em PD
    Saudaçor - Secde em PD
    Azores Space - sede em PD
    Querem mais?
    Nao foi pela iniciativa micaelense, como muitos cebolões julgam, foi pura e simplesmente pela vontade dos politicos que os micaelenses elegeram, e pelo silêncio interesseiro de outros.
    Sao nos municipios onde se encontram as sedes que as empresas pagam impostos.
    São nas sedes que se concentram os empregos
    São nas sedes que circula o dinheiro.

    Por isso, meus caro Nuno Mendes, continue de joelhos e com a cabeça encostada ao chão a agradecer aos micaelenses as migalhas que vao para as ilhas da coesão.
    Estão-lhe a fazer um grande favor.

    Alien

     
  • 28 julho, 2008 03:54, Anonymous Anónimo

    o Pico nao integra as ilhas de coesão nem integra as ilhas de valor...acho que isto diz tudo...

    picaroto

     
  • 16 agosto, 2008 13:48, Blogger fil

    já agora, porque não pôr a questão de se transladar toda a população dos açores para o continente, e não apenas das ilhas mais pequenas? ou será que s. miguel é economicamente sustentável sem as ajudas externas (eg união europeia)?